Haiti entra em nova espiral de caos e violência política
A crise política e social no Haiti deu mais um passo em direção à ingovernabilidade depois que o presidente Jovenel Moïse anunciou no domingo ter sido alvo de uma tentativa de golpe de Estado e confirmou sua intenção de continuar no cargo até fevereiro de 2022. A reação de Moïse foi a resposta a várias semanas de manifestações violentas em diferentes cidades do país para pedir sua renúncia, sob o argumento de que seu mandato terminou no último fim de semana.
Moïse falou no aeroporto de Porto Príncipe, antes de viajar para Jacmel, onde começou um dos Carnavais mais famosos do Caribe e que será realizado apesar da pandemia de coronavírus e dos tumultos, em um esforço de forçada normalidade. “Houve um atentado contra minha vida”, disse o presidente em referência a um suposto complô que começou em 20 de novembro.
Moïse não se limitou à crítica diante da imprensa e anunciou a prisão de 23 pessoas que acusa de tentarem assassiná-lo. Entre os detidos está o juiz da Corte Suprema Yvickel Dabrézil, o homem apoiado pela oposição para se tornar presidente interino, caso Moïse deixe o poder, e permanecer no cargo até a convocação das eleições. Segundo as autoridades, o juiz Dabrézil tinha até uma cópia do discurso de posse.
As prisões são uma tentativa de neutralizar um movimento de oposição que se movimenta nas ruas e nas instituições para tentar derrubar o Governo do país mais pobre da América. A oposição exige sua saída alegando que seu mandato terminou no domingo. Moïse, por sua vez, afirmou em várias ocasiões que seu mandato de cinco anos acaba em fevereiro de 2022.
A origem política do conflito está nas convulsionadas eleições de 2017. Um ano antes, Michel Martelly encerrou seu mandato, mas as eleições caóticas o forçaram a nomear um presidente provisório durante um ano até Moïse tomar posse. Segundo Francisco Fernández, assessor do presidente, “a rua está sendo agitada por grupos violentos que não ultrapassam 30 pessoas e que provocam violência e incerteza”, disse ele em entrevista ao EL PAÍS, falando de Porto Príncipe. “Há uma tentativa de golpe em marcha. A oposição quer contar o primeiro ano, mas nesse primeiro ano outro presidente esteve no comando na condição de interino e, além do mais, era da oposição”, disse o assessor político da firma Sola.
Fonte: EL PAIS
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