Flávio Bolsonaro foge do próprio passado, mas bolsonarismo vai tratá-lo como “refugiado”
Foto: Reprodução/ CNN
O risco iminente de fuga de Flávio Bolsonaro (PL), tratado pela Polícia Federal no pedido de apreensão dos passaportes, foi confirmado pelas ações do candidato derrotado à presidência da República. Os adjetivos que classificam o episódio variam entre “fujão” e “refugiado”, a depender do interlocutor. Todavia, a ida de Flávio para os Estados Unidos explicita que a estratégia da família Bolsonaro com a candidatura do senador ao Palácio do Planalto era blindar o filho mais velho de Jair Bolsonaro de persecuções jurídicas.
Flávio fugiu do Brasil. Isso é um fato. Os aliados dele vão tentar justificar o episódio como uma tentativa de se evadir da “perseguição política”, representada, essencialmente, pela decisão ter sido emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, acusado de ser arqui-inimigo do clã. Não há razões para amenizar o fato de um candidato derrotado em segundo turno, com mais de 4,8 milhões de votos a menos que o primeiro colocado, sair do país menos de 48 horas após o encerramento das urnas.
O Brasil continua sendo uma democracia. Com todas as mazelas possíveis, o país não é, nem de longe, a ditadura pregada pela extrema-direita. Porém, o discurso do bolsonarismo mais “duro” incutiu na mente de milhões de brasileiros essa perspectiva enviesada de mundo. A saída de Flávio Bolsonaro, usando subterfúgios de aliados na Argentina, no Equador e nos Estados Unidos, mostra a existência de uma articulação internacional, do chamado “Escudo das Américas”, para fragilizar instituições da América Latina. Tanto que, antes mesmo da fuga se concretizar, o Bolsonaro Similar já tinha garantida a permanência em território ianque, tal qual Eduardo Bolsonaro – que, morando nos EUA, defendeu publicamente a fuga do irmão em caso de derrota e a interferência da Casa Branca na disputa eleitoral brasileira.
Há certo pragmatismo no pedido de apreensão de passaportes e na decisão de Alexandre de Moraes concedendo-a. Era sabido, publicamente, que Flávio Bolsonaro precisaria se evadir do Brasil para não responder publicamente pelos inquéritos do “Dark Horse” e da suposta lavagem de dinheiro em parceria com o sócio e amigo Willer Tomáz. Em um contexto em que a condenação pela rachadinha nos tempos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro nunca foi a cabo por interferência do pai, era questão de tempo para que o senador respondesse pelos atos pouco republicanos (para evitar a classificação como “criminosos”).
Com anuência do governo Donald Trump, que já incorporou o discurso de fraude nas urnas, Flávio Bolsonaro deve tentar uma nova modalidade de líder da oposição, à distância. Cabe à direita tradicional, fagocitada pela extrema-direita e o bolsonarismo, tentar retomar as rédeas do debate político nacional – para fazer oposição real e democrática ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O vácuo deixado por Flávio Bolsonaro com os quase 60 milhões de órfãos que votaram nele na urna existe. Quem deverá ocupá-lo é a pergunta a ser feita a partir de agora.
Fonte: Bahai Notcias
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